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2005 - Duas opiniões

Tom Zé é uma importante referência para a formação de Zélia Duncan. Em 1998, na estreia da turnê do disco Acesso, Zélia incluiu a canção Vai (Menina amanhã de manhã). Anos depois, no disco Eu me transformo em outras (2004), Zélia regravou a canção Tô, original do disco clássico Estudando o samba (1976). Esse disco ganhou uma continuação, com o disco Estudando o pagode (2005). A trilogia se encerrou com o disco Estudando a bossa (2008). Zélia participou desses dois últimos discos da trilogia. No de 2005, cantou na faixa Duas opiniões, acompanhada de Suzana Salles, cantora ligada à Vanguarda Paulistana. 



Duas opiniões

(Tom Zé)

Ridículo chorar
Patético viver
Paradoxal prazer
Apologia do sofrer (chorar é coisa do amor)
Ridiculo chorar
Amor coisa do coração
Patético viver
O coração é do sonhar
Chorar este chorinho chorar
Sonhar este chorinho chorar
Chorar é coisa do amor
Amor coisa do coração
Patético viver
O coração é do sonhar
Sonhar este chorinho chorar
Apologia do sofrer
Leal, pagode, fiel, tão doce, ilusão, enganador
Não sabe quem não quer
Sincero (só) se fosse teria mais pudor
E nos sentir mulher
Mas rasga o coração (é só paixão) que gosta de sofrer
Lascivo e exalta a dor como o prazer
Porém nos laços dos martírios teus
Ou nos lírios e delírios meus
Somos a multidão
Um simples coração
Só, só
Gritando no porão
Chorar é coisa do amor
Rir rir ridículo chorar
Amor coisa do coração
Patético viver
O coração é do sonhar
Paradoxal prazer
Sonhar este chorinho chorar
Apologia do sofrer
Chorar é coisa do amor
Meu bem chora por mim
Amor coisa do coração
Meu bem chora por ti
O coração é do sonhar
Soluço pra te ver cantar
Sonhar este chorinho chorar
Cantando venho soluçar
Mais meninas vocês souberam?
Foi o pagode, foi o pagode, foi o pagode aquele
Alvitero sem-vergonha, lascivo, que foi perverter
Desvifiar, desatinar a coroa da Inglaterra, que largou
A coroa, largou tudo, por causa desse pagode,
Esse facilitador de namoro
E não respeita a uma grande potência como a Inglaterra. Que sujeito subvertedor.
Da ordem, do respeito e da lei
Até na Inglaterra.
Até na Inglaterra
Ele destronou (aquele) um rei
Da sedução
Que por sua paixão
Abandonou o trono
A corte
E a lei
Deixou de mão
Até Santo Agostinho
(Por amor viveu)
Foi sua presa
Pecado só
E Deus para esperá-lo (sentiu em si)
Assistiu muita proeza
Carne e pó
No pagode
É carne
Senhor tem dó
E depois não tem lugar
De ter lugar
De ter em si
Pecado e pó
E ma ma ma ma ma ma maltratar

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