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1999 - Fado tropical

Em 1999, Almir Chediak, além de produzir o Songbook João Donato, produziu o Songbook Chico Buarque, que teve oito volumes. Zélia participou de dois volumes, cantando as canções Fado tropical e A mais bonita. Nesta postagem, a canção abordada é Fado tropical, parceria de Chico Buarque e Ruy Guerra, que faz parte do primeiro volume dessa série de discos. A música, originalmente, integrou o espetáculo Calabar (1973) e foi, mais tarde, gravada por cantoras como Joyce Moreno (Passarinho urbano, de 1976), Clara Nunes (As forças da natureza, de 1977) e Fafá de Belém (Tanto mar, de 2005). Na gravação do Songbook Chico Buarque (1999), Zélia é acompanhada, mais uma vez, pelo violonista Marco Pereira.

Seguem o vídeo com a gravação de Zélia e a letra da canção:


Fado tropical

(Chico Buarque e Ruy Guerra)

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
"Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo...(além da
sífilis, é claro)*
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."
Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata
Arrebato um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto
Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto
Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa
Mas o meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa..."
Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial

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