Em 1996, Marina Lima lançou o disco Registros à meia-voz, produzido por William Magalhães, um dos fundadores da Banda Black Rio. Nesse disco, trouxe canções autorais inéditas, como À meia-voz, O solo da paixão e Irremediáveis mortais, regravações de músicas de seu repertório, autorais ou não, como Fullgás, Veneno e Mesmo que seja eu, e canções de outros autores, como Para um amor no Recife, de Paulinho da Viola, e Tempestade, de Christiaan Oyens e Zélia Duncan.
É bem verdade que Marina já havia cantado Tempestade no disco Abrigo (1995), mas era uma versão vinheta. Nesse novo disco, a versão é mais longa, ainda que a letra siga modificada em relação à gravação original de Zélia, no disco de 1994. Quem acompanha Marina sabe que essa é uma abordagem nas releituras que faz de músicas de outros artistas.
Em entrevista à Folha de São Paulo, Marina comentou sobre Tempestade:
"Eu gosto muito dessa letra. Ela mistura o amor com a visão social da realidade. É difícil para pessoas sensíveis não se incomodar com a realidade. A letra fala de amor e também faz uma crítica social quando aponta a hipocrisia e se refere ao homem que dorme nas ruas".
Seguem o vídeo com a gravação de Marina e a letra da canção:
Tempestade
(Christiaan Oyens / Zélia Duncan)
E desde então grita esse trovão no meu peito
A chuva lá fora
Chove de fato
Enquanto a sua ausência inunda meu quarto
E transborda na cama
Agora eu entendo
Meus sonhos são outros
Enquanto não durmo
Enquanto te espero
E chove no mundo
Eu não me acostumo
Com a falta de rumo brasileiro
E esse tom de desespero
Que atingiu o nosso amor

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