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1995 - O tempo não para (Citação: O poeta está vivo)

Em 1988, Cazuza lançou o disco O tempo não para, último registro ao vivo da sua breve carreira. O show registrado em disco foi dirigido por Ney Matogrosso. Entre os músicos da banda que acompanha o cantor-compositor, estão: Nilo Romero, parceiro de Cazuza em Brasil, Solidão que nada e Blues do ano 2000, João Rebouças, parceiro de Cazuza em Garota de Bauru, Filho único e Quando eu estiver cantando, e Christiaan Oyens, parceiro mais recorrente na obra autoral de Zélia.

Cazuza faleceu em 7 de julho de 1990, aos 32 anos. Após sua morte, foi fundada a Sociedade Viva Cazuza, que ajuda crianças e adolescentes que vivem com HIV.  Na década de 1990, foram produzidos alguns shows tributos ao compositor, como forma de arrecadar fundos para a associação. Esses shows foram editados em discos/cds. O primeiro foi em 1992, intitulado Viva Cazuza, que contou com Barão Vermelho, Kid Abelha, Leila Pinheiro, Marina Lima, Emílio Santiago, Renato Russo, Paulo Ricardo, entre outros. O segundo foi em 1995, o Som Brasil Cazuza, que contou com Barão Vermelho, Lulu Santos, Skank, Lobão, Cássia Eller, Sandra de Sá e Zélia Duncan. É desse show que vem o registro de Zélia cantando O tempo não para.

Na sua intepretação da canção, Zélia adiciona versos de O poeta está vivo, canção de Frejat e Dulce Quental, lançada no disco Na calada da noite, do Barão Vermelho. Em 1999, Zélia participou do Tributo a Cazuza, cantando Vem comigo (Cazuza / Dé / Guto Goffi), do repertório da fase de Cazuza no Barão. Em 2008, participou do Tributo a Cazuza na Praia de Copacabana, cantando novamente O tempo não para, acompanhada do co-autor da canção Arnaldo Brandão, e Vem comigo.     

Seguem o vídeo com a gravação e a letra da canção:



O tempo não para 

(Cazuza / Arnaldo Brandão) 

Citação: O poeta está vivo (Frejat / Dulce Quental)

Disparo contra o Sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara
Mas, se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não para
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha num palheiro
Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: É matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
Não, o tempo não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não, não não para
Mas quem tem coragem de ouvir
Amanhecer o pensamento
Que vai mudar o mundo
Com seus moinhos de vento

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